A Aliança Democrática de Sá Carneiro ganha as eleições e o carismático primeiro-ministro chama para ministro das Finanças e do Plano, o economista Cavaco Silva. Cargo que ocuparia durante um ano.
Sá Carneiro morre no início de Dezembro de 1980 e com a chegada a primeiro-ministro de Francisco Pinto Balsemão, Cavaco Silva deixa o Governo e volta à universidade e ao Banco de Portugal. Na Assembleia da República ocupou o lugar de presidente do Conselho Nacional do Plano, um órgão que precedeu ao Conselho Económico e Social.
Em 1982, Cavaco Silva começa a mostrar o descontentamento com o Governo de Pinto Balsemão e envia cartas às bases do partido ou faz intervenções mais duras no Conselho Nacional. Esta foi uma delas, relatada pelo Expresso. “Se existe indiferença e resignação ao nível das cúpulas, compete às bases reafirmar que o partido está vivo e que a coragem não morreu.” A carta aos militantes, em conjunto com Eurico de Melo é de julho deste mesmo ano, contudo, não é possível precisar a data das declarações.
Tinha sido candidato ao Conselho Nacional e começa a ter outra notoriedade no espaço público. Por causa das intervenções nos órgãos do partido e da carta que enviou aos militantes com Eurico de Melo, Cavaco Silva é colocado no grupo dos "críticos" do Governo de Pinto Balsemão. O próprio confessa, na sua autobiografia, que durante esse tempo preocupava-o "a gravidade da situação económica e como as coisas corriam no Governo, no partido e na AD, onde surgiam frequentes sinais de desorientação e de crise. O PSD surgia cada vez mais enfraquecido e subalternizado e Freitas do Amaral ganhava relevo crescente na AD".
Durante 1981, Cavaco Silva teve um papel partidário mais ativo. Em 1982 foi mais discreto e em 1983 acabaria por fazer mais um resumo do que tinha sido para si a liderança de Pinto Balsemão: “Como professor de economia tenho muita dificuldade em dizer qual foi a política económica de Pinto Balsemão.” Cavaco Silva andava ocupado com as negociações com o FMI, mas não deixava de ter um olho na vida do partido.
O PS vence as eleições de Abril de 1983, mas sem maioria. Junta-se ao PSD de Mota Pinto para a primeira tentativa de Bloco Central. Na autobiografia, Cavaco conta que se dava muito bem com Mota Pinto, mas que o Bloco Central marca o seu distanciamento em relação à vida partidária". Sobressaía "a faceta de economista". Cavaco diz que manteve "muitas dúvidas" em relação ao Governo PS/PSD, mas que sempre manteve uma "relação cordial" com Mota Pinto.
No congresso do PSD de 1984, Cavaco Silva foi até Braga apoiar uma liderança isolada de Carlos Mota Pinto.
Agastado por um Conselho Nacional onde não tinha maioria, Carlos Mota Pinto acaba por se demitir da liderança da Comissão Política. Cavaco Silva chegou a ser convidado para uma sessão do Conselho Nacional onde diz, se surpreendeu pela "turbulência e violência verbal". "Os Conselhos Nacionais de 1981, no tempo de Pinto Balsemão, que me tinham cansado e desiludido, pareciam-me agora reuniões tranquilas e civilizadas", escreveu.
Logo depois do 25 de Abril, Diogo Freitas do Amaral anunciou a sua candidatura à Presidência da República. Antes, tinha falado com Cavaco Silva que lhe mostrou "simpatia". Cavaco achava que apoiar Mário Soares "era um erro grave" e a candidatura de Freitas dava o escape que o PSD precisava. "Parecia-me que podia estar aí uma possibilidade de o PSD resolver bem a questão". Cavaco diz que não ia preparado para o Congresso da Figueira da Foz. Os mais céticos desta ideia, usam esta conversa com Freitas como a prova como Cavaco Silva tinha preparado tudo ao milímetro.
O líder demissionário do PSD morre menos de duas semanas antes de o Congresso Nacional discutir o futuro do partido.